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Bolsas operam em queda após ofensiva comercial de Trump
Um dia após a ofensiva comercial lançada por Donald Trump, com tarifas em larga escala, as principais Bolsas do mundo operavam com índices negativos nesta quinta-feira (3), com os investidores cautelosos sobre as possíveis consequências na inflação e no crescimento.
Às 7h30 GMT (4h30 de Brasília), a Bolsa de Paris perdia 1,81%, Frankfurt recuava 1,71%, Milão cedia 1,46% e Madri operava em queda de 1,19%.
Também registravam quedas as Bolsas de Zurique (-1,48%), Amsterdã (-1,41%) e Londres (-1,19%).
Na Ásia, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em queda expressiva de 2,77% e Shenzhen perdeu 1,40%. Nos últimos minutos da sessão, Hong Kong recuava 1,69%. Em contrapartida, Xangai perdeu apenas 0,24% e Seul cedeu 0,76%.
Em um longo discurso na noite de quarta-feira, Donald Trump anunciou tarifas para os produtos procedentes da União Europeia (20%), da China (34%), que se somam aos 20% já aplicados desde a posse do republicano; do Japão (24%) e da Suíça (31%), entre outros países.
A ofensiva protecionista da Casa Branca não tem precedentes desde a década de 1930 e também prevê uma tarifa adicional de 10% para todos os produtos que entram nos Estados Unidos, assim como aumentos para países que Donald Trump considera particularmente hostis no plano comercial.
Os economistas do Deutsche Bank apontaram que "a taxa média das tarifas sobre as importações americanas poderá ficar entre 25 e 30%, o que corresponderia aos níveis do início do século XX".
Diante da mudança de paradigma inédita no comércio internacional em quase um século, o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, desaconselhou a adoção de represálias para evitar "uma escalada".
"Sentem, assimilem, vejamos como será. Porque se adotarem represálias, haverá uma escalada. Se não adotarem represálias, este é o ponto máximo", declarou Bessent.
"Teremos que observar o impacto das tarifas nas margens, no consumo, nas taxas e na inflação para julgar a profundidade do impacto na inflação e no crescimento. No momento, ainda há alguma incerteza", comentou Florian Ielpo, diretor de pesquisa macroeconômica na Lombard Odier IM.
"As estimativas históricas indicam um aumento da inflação de 3% a curto prazo, mas também um impacto negativo de -1,5% no crescimento mundial nos próximos 18 meses", destacou o economista.
Diante de tanta incerteza, os investidores optam por valores refugio como o ouro, que nesta quinta-feira alcançou a cotação recorde de 3.167,84 dólares (17.927 reais) a onça (31,1 gramas).
No mercado cambial, "o dólar americano caiu e registrou a menor cotação desde que Trump chegou à Casa Branca", destacou a analista Ipek Ozkardeskaya. Às 7h30 GMT (4h30 de Brasília), o divisa registrava o menor nível desde outubro, em queda de 0,85%, a 1,0986 dólar por euro.
No mercado de petróleo, o preço do barril de Brent do Mar do Norte recuava 3,34%, a 72,45 dólares, e o de seu equivalente americano, o WTI, caía 3,57%, a 69,15 dólares.
M.Anderson--CPN